quinta-feira, 1 de março de 2012

A Barraca é uma ofensa à dignidade humana

As palavras são do padre Paulo Vaz Borges, com duas passagens já pelo Bairro da Boa Esperança, em Sal-Rei, na Boa Vista. O turismo começou a atrair pessoas para a ilha das dunas, gente à procura de trabalho que devido aos baixos ordenados e à falta de casas começou a construir a sua própria habitação. O que começou por ser duas filas de barracas transformou-se, com os anos, num bairro onde vivem cerca de quatro mil pessoas.

O bairro da Boa Esperança, conhecido por Barraca, numa das entradas de Sal-Rei, é um labirinto de construções semi-acabadas, pocilgas, lixo, pedaços de plástico e ferros. Há famílias de cinco, seis, sete, oito pessoas a viver em espaços que variam entre os dez metros quadrados e os quinze metros quadrados. Para se ter uma ideia, dez metros quadrados equivalem a cerca de dois passos por outros cinco passos.

O cinzento, o castanho e o laranja escuro são as cores dominantes. O cinzento dos blocos amontoados que servem de casa. O castanho dos caminhos de terra. O laranja escuro dos metais enferrujados. Quando marquei a entrevista com o padre Paulo Vaz ele disse-me para aparecer na igreja do bairro. Percebi depois que era um desafio. Ir conhecer a realidade da Boa Esperança.

Para chegar ao bairro é preciso percorrer um descampado. Ao longe vê-se o bairro feito de casas empilhadas. Ouvem-se os porcos, que circulam livremente pelas ruelas e cheira a lixo, que está empilhado em vários oásis feitos de plástico que surgem em diversos pontos do bairro.

Na outrora pacata Boa Vista, ilha onde todos se conheciam, começaram a ser noticiados crimes. Principalmente assaltos. O bairro é considerado o foco desses delitos. Mas, a verdade é que dentro da Barraca não há essa sensação de ameaça. Pelo contrário, as pessoas são educadas, cumprimentam o estranho que lá entra e chegam mesmo a conduzi-lo pelo emaranhado de ruas e casas todas iguais.

João Baptista tem um pequeno negócio dentro da Barraca, um café com um balcão aca-nhado, meia dúzia de bancos e uma mesa de matraquilhos no exterior. O principal problema, diz, é a falta. Falta de água, falta de luz, falta de esgotos, falta de casas de banho. "Nunca ninguém resolve nada. Estamos abandonados", lamenta-se o jovem, com pouco mais de vinte anos.

João Baptista é só um exemplo. Outros habitantes do bairro contam a mesma história. Querem luz, querem água, querem casas bem construídas, querem recolha de lixo. Tudo o resto, dizem, já têm: igreja, escola, actividade com as crianças, paz dentro da comunidade, seja qual for a nacionalidade.

Centro Educativo

O Centro Educativo da Boa Esperança fica mesmo no centro do bairro. É um edifício novo, pintado em tons amarelos e verdes que contrastam com o cinzentismo que o rodeia. É lá que funciona a igreja, a escola e o jardim-de-infância. As portas do templo estão abertas. Três arcadas e duas colunas sustentam o tecto. Do lado direito, a imagem de Nossa Senhora da Boa Esperança, padroeira do bairro.

Na sala, sete filas de bancos corridos de cada lado. Em cada parede, imagens talhadas em madeira contam vários episódios da vida de Cristo. Enquanto aguardam o início da missa, um coro, formado por fiéis de várias idades, entoa salmos religiosos. O ambiente é informal, crianças tocam um tambor sem serem recriminadas. De vez em quando, uma freira faz um ‘shiu' sorridente.

Falta de espaço e promiscuidade

O padre Paulo Vaz Borges chegou ao Bairro em Fevereiro de 2004. Na altura, existiam apenas duas filas de barracas em frente à cisterna da água. Todo o espaço agora ocupado pelas construções era uma montanha de dunas. Atrás do bairro estavam os chiqueiros. Depois de três anos em Roma, o pároco regressa em 2007, "e quando voltei, para meu espanto, as barracas tinham crescido até onde estão agora".

O padre Paulo Vaz conhece a realidade da Boa Esperança como poucos. Uma das preo-cupações principais é o convívio das famílias num espaço reduzidíssimo, onde "convivem mãe, pai e dois, três filhos, todos juntos. E outras com muito mais gente. Isso é muito grave, porque as pessoas não têm um espaço onde viver nem conviver. A mulher e o marido precisam do seu espaço. As crianças precisam do seu espaço".

Toda essa promiscuidade, segundo o sacerdote, dá origem a duas coisas que não são "nada boas"; primeiro, provoca a violência entre os casais, "porque quando discutem, não têm espaço para se retirar, deixar passar a raiva, portanto batem-se entre si"; o outro problema são os filhos, "que vêem aquilo que não deviam ver. Há uma alta promiscuidade, por causa da falta de privacidade".

É preciso, diz o clérigo, que as pessoas "que vivem cá" tenham o seu espaço. "Tenham direito a um espaço para viver, para construir uma casa digna que permita essa vida em comum".

Em cada casa do bairro há uma estrutura familiar. Em cada barraca vivem pai, mãe e filhos. Quando os filhos se emancipam, não ficam dentro da barraca. Constroem mais uma casa ao lado, ou por cima, da habitação dos pais.

É assim que as barracas se vão estendendo. As famílias vão crescendo e o bairro acompanha esse ritmo.

"A gente que veio para cá", explica o padre Vaz Borges, "foram pessoas que vieram tra-balhar. E contribuíram enormemente para o desenvolvimento da Boa Vista. Mas, ao mesmo tempo, criou-se um grande constrangimento ao poder local da ilha. Esse é um dos preços a pagar pelo desenvolvimento".

Centro não consegue receber todas as crianças

A construção do centro e da igreja, veio, segundo o pároco, promover uma certa vitalidade assim como aumentar a auto-estima das pessoas que vivem no bairro da Boa Esperança, "que, de maneira geral, não tinham uma segurança. Viviam incertas". Agora, no bairro, já se respira um ar de confiança. "As pessoas começam a perceber que merecem ser dignificados".

A construção da igreja começou a 26 de Janeiro de 2009. A 26 de Janeiro de 2010, todo o bloco central já estava construído. Em Março de 2010, começou a ser construído o jar-dim infantil, que ficou pronto em 2011.

Neste momento, 118 crianças frequentam a escola primária e 108 estão no jardim infantil.Mesmo com o centro, um dos grandes problemas que continua a sentir-se na Barraca é o número elevado de crianças na rua. Para já, a escola e o jardim-de-infância são insufi-cientes para responder a todas as necessidades. "Não atendemos a todas as crianças, nem temos espaço para isso", refere o padre Paulo Vaz, "recolhemos as crianças em situação mais vulnerável, crianças em situações de risco, alguns órfãos, mas também crianças de pais que trabalham nos hotéis". Estes pais, que trabalham, também contribuem com um montante mensal de dois mil escudos "uma forma de solidariedade para com aqueles que não podem pagar". Mas, mais do que solidariedade, é também uma forma de responsabilizar pais e mães pela educação dos seus filhos. "Nós ajudamos à promoção humana. Queremos promover as pessoas do bairro, estimulá-las, dar-lhes amor e carinho, mas, queremos também que eles tenham uma parte activa no seu próprio destino. É isso que queremos fazer aqui".

Esse "arregaçar de mangas contra o destino" começou já com a construção do próprio Centro Educativa e da igreja, obras que tiveram a ajuda das pessoas do bairro. "Foram muito voluntariosos na construção da igreja, do centro e do jardim-de-infância. Pagámos também muito, mas sem a ajuda do bairro, teríamos muito mais dificuldade. É bom que as pessoas se mentalizem que o padre, quando sai daqui, não leva nada, deixa tudo. Está ao serviço deles e da igreja".

Sonhos e reivindicações

No bairro, segundo as contas do sacerdote, vive cerca de 60 por cento da população da Boa Vista. Os últimos números oficiais são de um estudo feito pela Afrosondagem em 2010. Nesse documento, são referidos dois mil e oitocentos moradores. 37 por cento tinham acesso à electricidade, abastecida a alto custo pelos próprios moradores, através de geradores de energia. Não tinham água ao domicílio, nem rede de esgoto ou sistema de recolha de lixo. Em relação à organização familiar, era referenciado que "quase todas as casas são familiares e estruturadas". Ainda segundo o estudo, o emprego era precário e os beneficiários da segurança social estavam muito abaixo da média nacional. Entretanto, passaram-se dois anos, e hoje na Boa Esperança convivem treze nacionalida-des diferentes.

Aos ouvidos do padre Paulo Vaz, chegam diariamente os sonhos e as reivindicações dos seus habitantes. "O que mais desejam é ter uma casa. Um lugar onde viver com mais dignidade. No fundo, é isso que pedem, uma casa digna para educarem os seus filhos e para se integrarem totalmente nos costumes da Boa Vista. Para se integrarem totalmente na nossa sociedade".

Uma casa digna, uma família estruturada, educação e tirar os filhos da rua, chega uma mão e ainda sobra um dedo para perceber os desejos dos habitantes da Barraca. "Os fi-lhos não têm espaço dentro de casa. Não têm televisão. Não têm luz. Não têm saneamento. Há lixo por todos os lados, porque faltam contentores", vai enumerando o sacerdote. Contentores são quatro, fora do bairro, e quando estão cheios passam-se dias e dias para ser recolhidos. Mesmo assim, o cenário é hoje melhor do que no passado por-que houve um trabalho forte de sensibilização das pessoas. "Ensinámos que não devem deixar lixo à porta, nem perto das casas dos vizinhos. Que não devem atirar as garrafas. Mas é um trabalho lento. Exige muito tempo. Mudar a mentalidade é possível, mas é o que mais custa mudar nos seres humanos".

O papel das autoridades

O apoio das autoridades é reduzido. O padre Paulo Vaz lembra-se que a autarquia trouxe jogos para as crianças, "nada mais". "Admito que cada um só dá o que tem e o que pode e não podemos exigir à autarquia que nos ajude. Mas, se a câmara vir que estamos a fazer um trabalho importante, algum dia nos há-de introduzir no seu programa de ajuda".

"Precisamos da ajuda de todos para fazer o trabalho que perseguimos, principalmente a educação, a dos grandes e a dos pequenos. A educação do homem, em todas as suas dimensões. Não queremos só trazer conceitos de conhecimento, queremos introduzir educação integral nas crianças e nos adultos. Para que haja uma educação saudável".

Para o sacerdote, os apoios não devem vir só dos organismos públicos, "os privados que nos ajudem a ajudar, porque não procuramos nenhuma glória. Só queremos assegurar o futuro das crianças, porque serão os homens de amanhã".

Daí o desafio que deixa, "venham cá. Vejam o que estamos a fazer. Vejam o nível de implicação que estamos a ter, todos os que trabalhamos cá. Continuem a ter em conta este bairro e as pessoas que cá vivem. Não nos virem as costas".

A segurança

Há um tema que tira o padre Paulo Vaz do sério, quando se afirma que a Barraca é insegura e fonte de todos os crimes na Boa Vista. "Dizer isso é completamente falso. Há muitos guias de hotéis que dizem aos turistas para não passarem cá, mas isso é falso. Nunca nenhum turista foi agredido no bairro. Isso é falso e contribui para a descriminação".

"Durante todo o tempo que cá estive e estou, nunca assisti a agressões a turistas. São agredidos sim quando vão sozinhos à costa da praia da Boa Esperança. São agredidos quando se aventuram para locais escondidos. Aqui, as discussões são entre eles, as agressões são entre eles, nunca contra turistas ou contra pessoas que vêm de fora. Nem as pessoas da Boa Vista são agredidas aqui. E são tantas as que vêm aqui comer, beber ou dançar. É preciso coerência com o que se diz, para não desacreditar este bairro onde é feito tanto esforço para os reabilitar".

"Devolvam-nos a dignidade"

Reabilitar e devolver a dignidade aos seres humanos que habitam na Barraca - são duas as palavras mais ouvidas do sacerdote do bairro. "É uma ofensa que as pessoas tenham de viver assim. Isto indigna-me, provoca-me dor, para já não dizer que sinto raiva. Porque penso que não é certo".

"Não digo que a câmara ou o governo têm de fazer casas para dar às pessoas. O que eu digo é que não se pode negar o direito de ter um terreno digno para construir. O poder local deve ter em conta tudo isto. Quando as pessoas vão à autarquia pedir a venda de um terreno, se for possível facilitar a burocracia, façam-no para que as pessoas consigam as suas casas. É importante que tenhamos sensibilidade para evitar situações destas em Cabo Verde. Eu nunca tinha visto isto. Fiquei espantado quando vi as barracas em Cabo Verde".

A Câmara da Boa Vista fez um projecto já em 2009 que previa a reabilitação de casas, arruamentos, rede de água, esgoto e electrificação. A intervenção não avançou porque ainda não se conhecia a posição oficial do Governo. O Primeiro-Ministro chegou a falar em erradicação. Nesta altura, volta a apostar-se na reabilitação.

O que o padre Paulo Vaz pede é uma sensibilidade maior por parte das autoridades locais e centrais. Que a aposta no turismo seja acompanhada por uma evolução concreta. "Com o projecto Casa para Todos [Em Janeiro, a Ministra do Ordenamento do Território lançou a primeira pedra das 170 habitações que o projecto vai construir na Boa Vista] e a promessa de reestruturação do bairro, penso que vamos no caminho certo. Eu acredito, porque o homem tem de acreditar. O governo, em parceria com a câmara, prometeu reestruturar o bairro. Espero que isso se concretize. O que desejo, e eles também, é dignidade. Não há esperança para este lugar enquanto forem considerados ilegais. Tudo isso causa incerteza nas pessoas. Mas penso que o governo e a câmara dizem que será possível mudar, por isso acredito no que eles dizem. Espero que sejam palavras de verdade. Muita gente vem perguntar ao padre o que vai acontecer, eu falo na requalificação. Não quero passar por mentiroso, por isso é que acho que é fundamental cumprir a palavra".

Está na hora de começar a celebrar a eucaristia, antes de se despedir o padre Paulo Vaz atira a última frase: "este bairro é agora da Boa Esperança, porque a esperança estava morta. Mas, através da fé, da participação e da responsabilidade de todos, mostrámos que é possível. Este é um milagre da fé mas também um milagre do homem". Não havia tempo para mais.

Cá fora já é noite. As conversas tornam-se menos audíveis por causa do ruído das dezenas de geradores que começaram a funcionar. O comércio continua activo; aqui a padaria, ali o clube de vídeo, além os bares e restaurantes. Nas ruas do Bairro da Boa Esperança vêem-se fogueiras onde crepita o churrasco. Em cada canto, um sistema de colunas debita funaná, morna e coladeiras. Ao longe, os habitantes de Sal Rei vêm em grupos para comer, beber e dançar.

Copy paste: expresso das ilhas
Boa Vista: Policia já tem mandado de captura contra agente Osvaldo Sanches

01 de Março de 2012, 15:03

A Esquadra da Polícia da Boa Vista já se encontra na posse de um mandado judicial para capturar o agente Osvaldo Varela Sanches que disparou hoje contra o seu colega Adriano Lopes, que se encontrava de serviço.

Segundo o comandante Policarpo Fonseca, a Polícia da Boa Vista já dispõe de um mandado judicial, pelo que está à procura do agente agressor para o capturar.

Osvaldo Varela está na posse de uma Makarov, arma com a qual atingiu o seu colega no rosto.

Perguntado se os agentes não correm algum risco na captura do referido agente, o comissário Policarpo admitiu que se está diante de uma “situação delicada”, mas que tudo farão para que “não haja mais sangue”.

Em declarações à Inforpress, aquele responsável disse que o incidente aconteceu poucos minutos depois das duas da madrugada.

“Ele chegou e disparou sem qualquer discussão contra o agente que se encontrava de serviço”, realçou o comandante, acrescentando que a bala saiu depois de ter atingido a face do agente Adriano que deve de ser transferido, ainda hoje, para o Hospital Central da Praia, a fim de receber os tratamentos médicos que não se fazem na Boa Vista.

Osvaldo Varela Sanches, que se encontra a monte, disse o comissário Policarpo Fonseca, esteve de baixa médica durante cerca de um ano, por sofrer algumas “perturbações mentais”.

Instado por que razão admitiu que o agente Sanches fizesse serviço com arma, o responsável da Esquadra da Boa Vista explicou que o mesmo tinha apresentado um papel médico, dando-lhe como “apto para retomar as suas funções na Polícia”.

“O médico disse que ele (Osvaldo Sanches) está pronto para qualquer tipo de serviço”, afiançou Policarpo Fonseca.

Policarpo Fonseca adiantou à Inforpress que na altura do incidente o agente Adriano encontrava-se sozinho na Esquadra, uma vez que os outros colegas estavam fazer as habituais rondas nocturnas pela Cidade de Sal-Rei.

Reconheceu que o agente Osvaldo Sanches já não dormia há algumas noites e que não dispunha de medicamentos, os quais deviam seguir a partir da Cidade da Praia.

Osvaldo Varela Sanches e Adriano Lopes são naturais da ilha de Santiago e encontram-se a prestar serviço na ilha da Boa Vista.

LC

Boa Vista: Obras do Porto de Sal Rei praticamente paralisadas

O governo de Cabo Verde vai pagar mais de um milhão e 300 mil contos para terminar as obras do Porto de Sal Rei, na Boa Vista. Esta ampliação, que devia custar três milhões e 500 mil contos, já vai nos quatro milhões e 800 mil contos. Neste momento as obras estão praticamente paralisadas, com muitos trabalhadores a serem despedidos.

Estas afirmações foram avançadas pelo ministro das Infra-estruturas e Economia Marítima, enquanto respondia às questões sobre a suposta paragem das obras do Porto de Sal Rei. De acordo com José Maria Veiga, o orçamento para a ampliação desta infra-estrutura requer um ajustamento de cerca de um milhão e 300 mil contos.
José Maria Veiga explica que esta injecção no orçamento inicial é para fazer face aos imprevistos que foram surgindo no decorrer dos trabalhos. “Tinham sido projectados um conjunto de obras no valor mais ou menos de três milhões e 500 mil contos. As obras marítimas vêm sempre carregadas de imprevistos, às vezes há questões que dependem do fundo marinho que obrigam que haja algumas alterações. E é nesse caso, com as questões técnicas, que as obras demandam um montante de quase um milhão e 300 mil contos”, aclara.
Mais: “Dificilmente faz-se uma obra até o fim sem ter alguma alteração. Há questões que vão sendo resolvidas no decurso do projecto. Há imprevistos, há trabalhos a mais, há novas orientações que surgem. Nesse caso concreto da Boa Vista, viu-se que o mar é de tal forma agitado que obrigou o redimensionamento das peças. Foi isso que encareceu a obra. O fundo do mar obrigou a que se fizesse uma área de dragagem muito maior “.
Sobre os boatos de que as obras vão ficar paralisadas, tendo em conta que vários funcionários e trabalhadores estão a ser mandados para casa, o ministro garante que está questão já foi solucionada pelo governo. José Maria Veiga assegura que, apesar do custo do projecto ter encarecido muito para além do previsto, a obra não está parada. “Neste momento está toda uma questão de reorganização das próprias obras. É nessa fase que estamos, mas a obra não está parada”, sublinha.
"copy paste" – asemana

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012


http://noticias.sapo.cv/inforpress/artigo/152333.html

Boa Vista: Grupo movimenta bairro da Barraca com actividades desportivas

24 de Fevereiro de 2012, 00:05 - Inforpress
Cidade de Sal Rei, 24 Fev (Inforpress) - O bairro da Boa Esperança, na zona de Salinas, em Sal Rei, acolhe sábado e domingo um torneio de futebol entre as equipas femininas e masculina do bairro, organizado pelo grupo “Amigos da Barraca”.

Segundo Joseph Yssouf, um dos responsáveis do grupo, com a iniciativa pretendem proporcionar momentos de distracção e diversão a todos os que habitam naquela zona, sobretudo os jovens.

O jogo que acontece no “coração” da Barraca, também conhecido como bairro da Boa Esperança, contará com a participação de quatro equipas de ambos os sexos. Os vencedores serão contemplados com prémios patrocinados por algumas casas comerciais da ilha.

O “Amigos da Barraca” é composto por dez jovens oriundos do Senegal e tem como objectivo promover actividades desportivas e a inclusão social do bairro.

Conforme Joseph Yssouf, Barraca é considerado “um bairro problemático”, mas nele residem também pessoas boas que gostam de praticar actividades desportivas”.

Estão agendados também jogos de ringue e de carta com a participação de crianças e adultos.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Olá! Estás aí. "Ate kim fim, m pensa dja bu tinha bod embora".
Voltei sabias.
Cabrers.bolgspot.com voltou. Sabes, muita preguiça de “correr” o dedo numa caneta e numa folha de papel para escrever. (ah! Meu Deus! Estou atrasada no tempo. Hoje em dia já não é caneta e papel mas sim computador. Mas da na mesma. Liga computador na tomada, abrir pc, inicia Word, pensa, pesquisá, escolhe tema, escrevé… xiii é txeu coza dmas kond preguisa sta la
Mas vamos ao que interessa! Após dias, meses, anos de descansos reiniciamos o nosso “mundo de narrações” no Cabrers.bolgspot.com

A nossa primeira história de 2012 é uma reportagem, “copy, paste” do jornal on-line A SEMANA (http://asemana.sapo.cv/).

Aristides Lima apoia a candidatura de Walter Évora à CM da Boa Vista
Aristides Lima vai apoiar a candidatura de Walter Évora, presidente da Comissão Política Regional do PAICV, à Câmara Municipal da Boa Vista (CMBV) nas autárquicas deste ano. Um gesto que Évora classifica como “um momento político marcante para a sua candidatura” porque, considera o candidato do PAICV, agora todas as sensibilidades tambarinas estão reunidas à sua volta, o que lhe proporciona as condições para disputar e vencer a CM da ilha das dunas.

Orgulhosamente só no seu «canto» desde que perdeu as presidenciais, Aristides Lima não atendeu às várias chamadas deste jornal para fundamentar o seu engajamento político em torno da candidatura do líder regional do PAICV à CM da Boa Vista. Mas Walter Évora explica que a declaração de apoio do antigo presidente da Assembleia Nacional resulta de uma longa conversa que manteve com aquele parlamentar, no quadro dos contactos que vem realizando com dirigentes e formações políticas locais.
“O deputado Aristides Lima comprometeu-se a apoiar o candidato do PAICV à CM da Boa Vista, quer fazendo porta-a-porta quer discursando nos comícios”, afirma Walter Évora, para quem este “é um momento muito marcante para a minha candidatura, porque Aristides Lima representa a Boa Vista, onde, na primeira volta das presidenciais do ano passado, mais de 80 por cento dos eleitores locais votaram nele”.
Logo a candidatura de Walter Évora ganha um importante reforço na luta que já se adivinha renhida, quase “corpo a corpo” com o actual edil José Pinto Almeida, que se candidata à sua própria sucessão.
O apoio de AL é também de um grande simbolismo, defende Évora, pois representa uma mensagem clara sobre a união da família tambarina na ilha, para dar continuidade ao trabalho que, desde as legislativas até às presidenciais do ano findo, tem proporcionado ao PAICV vitórias em todos os embates políticos realizados na Boa Vista.
“Este posicionamento político de Aristides Lima é carregado de um simbolismo e significado particular. É como se fosse uma bênção a esta candidatura do PAICV à CMBV”, afirma Walter Évora. Mais: o apoio de AL “além de emprestar credibilidade à nossa candidatura, constitui uma mensagem clara de que todas as sensibilidades do partido estão unidas para lutar e vencer as próximas eleições autárquicas na ilha”, pontua Walter Évora.
O presidente da Comissão Política Regional da Boa Vista confirma estar também em negociações com outras figuras locais, com destaque para Severo Lima e Orquídea Dom, que desistiram de liderar a lista do PAICV à edilidade local e devem agora integrar as equipas tambarinas candidatas aos diferentes órgãos autárquicos.
Mas a estratégia da CPR para mobilizar apoios pré-eleitorais não fica por aqui. Bem avançadas estão as conversações com o recém-criado grupo independente Forças Vivas, no sentido de também se juntarem às listas do PAICV.
“O PAICV já solicitou às Forças Vivas o seu apoio nas próximas eleições autárquicas. Estamos à espera de uma proposta para um possível acordo político neste sentido. E depois de analisarmos os termos deste acordo, tomaremos uma posição final sobre o assunto”, avança Sérgio Corra, avisando que mais de 400 cidadãos já garantiram, através de uma subscrição pública promovida para o efeito, o seu apoio à candidatura do grupo à CM da Boa Vista. (http://asemana.sapo.cv/spip.php?article73011&var_recherche=aristides%20lima%20apoia%20&ak=1)

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O regresso do CABRERS.BLOGSPOT.COM

Olá! Estás aí. Ainda bem. Porque Cabrers.bolgspot.com voltou. Sabes! Todo o mundo estava de ferias nós também resolvemos gozar de umas merecedoras folganças. Mas vamos ao que interessa! Após dias de descansos reiniciamos o nosso “mundo de narrações” com uma pequena crónica. Trata-se de um assunto que não é muito abordado pela população Boavistense hoje em dia, mas posso salientar que ela é merecedora de uma profunda reflexão, por isso, convido-te a embalar comigo nesta crónica que se segue.

O sorriso amarelo

Hoje vou falar-vos um pouco sobre um fenómeno que inquieta os boavistenses mas ninguém faz nada. Aliás, melhor dizendo, todo o mundo já está acostumado. O sorriso amarelo que toma conta da ilha das Dunas, particularmente a zona Norte.

É um sorriso que as pessoas são obrigadas a conviverem com elas pelo resto das suas vidas. Qual será o real motivo desse sorriso amarelo? A explicação científica não se sabe, mas a população encontrou para esse fenómeno uma justificação: a água que é ingerida.
Trata-se de uma água amarga, meio salgada assim como Kaka cantou na sua música “agua Saloba de nha terra”.

Na zona Norte e não só, nascemos, crescemos a beber a nossa famosa “agua Saloba”, portanto para nós não havia problema algum em ingeri-la enquanto que para alguém que vinha de outra localidade ou então outra ilha era impossível beber a nossa “água saloba”.
Talvez fosse por causa disso que quando bebíamos água engarrafada a diferença era como se a gente viajássemos de terra para a lua.

Mas retomando ao nosso “sorriso Amarelo”! Você sabe o que é conviver com esse problema? Não, nem podes imaginar. Mas eu vou dar-lhe algumas dicas. De certeza que muitas vezes você sentiu a necessidade tremenda de fazer algo mas não podia porque alguém ou alguma coisa o prendia ou então porque tinhas a sensação de que alguém estava a observar-te. Pois é, é assim que os “donos dos sorrisos amarelos” sentem.
São “obrigados” a esconderem o sorriso: por isso tapam a boca com a mão ao sorrirem, muitas vezes perante a alegria encolhem a “buxexa” ou simplesmente limitam-se a não sorrirem.
São quase “obrigados” a esconderem a alegria junto dos amigos, dos colegas, da própria população no geral. Na maior parte são pessoas com um bom aspecto físico para não dizer lindas (os) mas que carregam nas costas um grande receio. Receio em abrir a boca, em falar, “ki fari go sorrir”.

Lembro-me da viagem que eu fiz no mês de Agosto à ilha das dunas. Não sei se foi coincidência ou não. No barco fui sentar-me perto de uma jovem linda, com pele suave, cabelos finos, castanhos e cumpridos. No colo dela se encontrava um belo bebe recém-nascido. Ela era natural da ilha das flores. Mas como diz aquele ditado nem tudo é perfeito, ela também era portadora do “sorriso amarelo”. Mas nela havia algo diferente que despertou em mim um sentimento que nem sei explicar o que era. Isto porquê? Ela agia com naturalidade, sem receio algum. A reacção dela cativou-me.
Mas o mais interessante é que após alguns minutos de conversa ela já deixava transparecer a alegria – talvez por estar a conversar com uma “colega”. Naquele preciso instante sentimos cúmplices, companheiras, como se já conhecíamos há muito tempo. Sabes, quando encontramos alguém que contem algo semelhante a nós sentimo-nos próximos um do outro, mais protegidos e temos a tendência em depositar uma confiança nessa pessoa, jamais depositada noutra num curto espaço de tempo.

Ao desembarcar na ilha das dunas desejamos, uma a outra, sorte e sucessos e num olhar de cumplicidade cada “colega” seguiu o seu rumo.

Foi um dia, aliás uma noite, que me marcou e pelo qual não pretendo esquecer, mas sim adoptar como exemplo: nunca envergonhar de algo pelo qual a sua origem não é fruto dos nossos actos. A vida é maravilhosa, por isso, devemos fazer de tudo para que ela esteja sempre repleta de coisas boas, vale para isso, uma troca constante de sentimentos maravilhosos (amor, amizade, …)
Think about this.

domingo, 17 de agosto de 2008

Reflexões

Hoje mal consegui dormir. O pensamento apoderou-se da minha mente que quando dei por mim já era a hora de levantar. De certo que esta acção despertou em mim o quanto é imprescindível pensarmos antes a agir. Lembro-me que há uns meses atrás eu tinha escrito uma crónica intitulada “Pensar para quê”. Mas hoje eu vou fechar os olhos e marchar para trás em relação aquilo que eu tinha escrito naquela crónica. Isto porque?

É verdade quando eu digo que se a gente pensar nós não fazemos as coisas consideradas extravagantes que deixa em nós aquele frio na barriga por estar com medo de não sei lá o quê; não saboreamos o fruto proibido; não vemos pessoas a correrem e a saltarem murros; resumindo se a gente pensar nós não vivemos as coisas mais belas que a vida alguma vez nos deu.

É verdade sim, tudo isso. Mas por outro lado se pensarmos um pouquinho que seja de certeza que minimizaríamos dor, sofrimento, abandonos, perdas etc. que estes actos podem nos trazer.
Se pensarmos nos problemas ou nas consequências que determinados passos podem-nos causar de certeza que não o faríamos. Muitas vezes chegamos a pensar, mas é um pensar do momento que acaba por desaparecer logo no virar da esquina.
Quem sabe mais tarde eu faço;
Não! Amanhã;
Não, não! No fim-de-semana;
Não! No próximo mês;
Ah não! Fica pró ano que vem.

Se pensarmos muito corremos o risco de nada fazer a não ser procurar a conduta considerada correcta. Se não pensarmos fazemos asneiras e na maior parte das vezes ao acordarmos estamos no meio de um deserto sem água, sem comida, sem transporte, sem direcção. Onde está a saída? Não sei - Talvez não, talvez sim. Muitas vezes a saída está perto de nós, ao nosso alcance, nos é que não o vemos ou como se diz no crioulo “nó ta da pa dod” que não estamos a ver.

Pense nisso dear friends.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A história dos “Badios” e os Boavistenses

No jornal Expresso das Ilhas, edição 346 a notícia manchete foi "Badios" são "maltratados" e "discriminados", isto na ilha das dunas. A fonte de informação da notícia foi o edil da Câmara Municipal de Santa Cruz, Orlando Sanches.
Alguns comentários a cerca do assunto foram deixados no site Expresso das Ilhas, todos criticando esta discriminação por parte de alguns Boavistenses face aos “badios”. Alguém chegou ao ponto de levantar a hipótese de fazer o mesmo com os Boavistenses residentes na ilha de Santiago.

Mas eu levanto algumas questões! Já perguntaram aos Boavistenses porquê que estes não gostam dos “Badios”? Será pelo facto dos “badios” invadirem a ilha fantástica? O quê que os “badios fizeram para merecerem tal acto? Afinal o quê que se passa na ilha das dunas?
Estas são algumas das perguntas que carecem ser respondidas para que tudo isso possa ser esclarecida. Porque muitas vezes, a tendência é de escutar somente um dos lados envolvidos na história - afinal já temos uma versão a outra não é assim tão importante. Só que esquecemos que há a necessidade de contrastar os factos, sendo por isso é imprescindível as duas versões da história. Só assim poderemos, analisar, interpretar e chegar as conclusões necessárias.

De certo que o comportamento entre o pessoal destas duas ilhas necessita ser trabalhada. É claro que existe excepção para algumas regras. Assim como existe “badios” bem aceites pela população da ilha das dunas, existe aqueles que são mal vistos. Como diz os indivíduos da ilha fantástica tudo depende do comportamento do recém-chegado (pelo menos na zona Norte da ilha). “Há que saber chegar, bater e entrar na casa dos outros”.

Alguns eventuais motivos dessa discórdia vieram desde a chegada dos primeiros indivíduos de Santiago á ilha das dunas. Desde a implementação da 1º barraca na ilha – facto que contribui e muito para o desenvolvimento desse sentimento negativo entre pessoas das duas ilhas.
Na altura Boa Vista era uma ilha com pouca gente onde todo o mundo conhecia todo o mundo, todos eram amigos de todos, a população vivia estável, não havia a necessidade de trancar as portas e as janelas, não havia perigo nas ruas, nem sequer barracas etc.
Não é por ser da Boa Vista que estou a contar isto, mas sim por estar lá na altura, por viver lá e por presenciar certos comportamentos negativos.
-Um belo dia, num final de semana, um grupo de rapazes (“badios”) seguiram rumo ao Norte – foram dar um passeio. Na volta para a casa estes depararam com um grupo de cabras, não importando em saber quem era o dono, correram atrás dos animais e capturaram uma. Ao coloca-lo no carro alguém de Boa Vista chamou-os atenção e um destes respondeu: “É di bó? Si el é di bó bu bem toma.”
-Um certo dia também, um Sr. dono da sua horta foi ver se tudo estava ok no seu campo. Quando este chegou lá deparou com dois “badios” a cortarem as suas tamareiras e ele disse: “quer dizer ezot one nem mi nem buces ca ta cme tâmara”.

Mas assim como existe comportamentos negativos por parte dos “badios” existe também condutas negativas por parte dos Boavistenses.
-Um certo dia havia um “Badio” a vender vestuários de porta em porta. Chegando na casa de um conhecido meu, por não saber o nome deste chamou-o de papa. O Sr. extremamente irritado descompôs o vendedor só pelo facto de este dirigir a ele de uma forma que ele considerou propícia.
Situações do género acontecem todos os dias na ilha das dunas não somente entre indivíduos da Boa Vista e “Badios” mas também com os chamados “mandjacos”.

Mas a conclusão que se pode chegar é que se calhar o pessoal da Boa Vista não estava ou não está preparada para o desenvolvimento. Violência, pobreza, insegurança, roubos etc são “filhos” de desenvolvimento logo os Boavistenses terão que saber conviver com tudo isto. Há a necessidade de se consciencializar que a ilha está a desenvolver e este arrasta consigo tanto aspectos positivos como negativos.Prepara população de Boa Vista porque daqui a alguns anos Boa Vista será do mundo e não dos Boavistenses.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Cabrer pastor e o Italiano

Hoje contrariando ao costume não vou escrever crónicas nem notícias, mas sim vou contar-vos uma pequena história que se passou na Ilha das Dunas entre um indivíduo da Boa Vista e um Italiano. Mas eu só vou contar a história se tu prometeres que vais sorrir. Vais sorrir! Ah! assim é que eu gosto. Ami mca ta conta xtoria que pa gent fca dboca ftchod, ta dom vergonha. Sbu ca gosta fingi mo bu gosta.
Então vamos lá.

Na Bubista tinha um Italion kta livaba si vida numa boa. Al tinha se casa, se animais etc. cosas que tud gent de parfora (pessoas do interior da ilha) tem. E sendo el um italion é clar que al ca tinha get quê pa cuida de se animais. Anton al contrata um mos de Bubista la de nha zona (Norte – João Galego) qué pa cuidaba el de se animais. Tud dia mos ta bába tra cmida pa da cabras, al ta daba es agua, tra leite, radja cabrit (coloca cabrite longe dsi mãe), quês cosa que quem dja vivé na comp sabé.

Um dia pa azar con mos ba pa cerc (lugar que gent ta po animal) al otcha cer caid na tchon, tud cabrit dja saíba de dent cerc dja baba otcha ses mãe – consequência as mama tud leite. Agnelo preocupod, al ca sabia o quê que al tava ta ba fla sr Armando. Al fazé tud o que al tinha pa fazé na cerc, cond al termina al segui rumo a casa de Armando. Tchegod la, cun cara feia que ta tchaba transparecé preocupação e desespero, Agnelo bá fala ma sr Armando. Mesmo na kel clima ou então pa sr Armando comprindia el drete Agnelo fala ma sr Armando tud na italion e el fla:
Agnelo: Armando hojes catenes letes.
Armando: Perché Agnelo.
Agnelo: perché cercos rombaros, cabritos zradjaros, mamaros tudo las letos.

Ah Italianos! Quer dzer Bubistense. Bu sabé bubista hoje em dia ta moda Itália e tud gent ta fala ou pelo menos ta kre fala italion, alguém iá fala bolinha...

sábado, 19 de julho de 2008

Lá vai o coitado do burro

1 de Janeiro de 2007
Ano novo, vida nova, experiências novas. É com base nesta frase que um grupo de Rapazes de João Galego decidiram fazer algo que ficasse marcado para a história desta localidade. O quê que resolveram fazer naquele dia? Imagina só, determinaram fazer uma grelhada de burro. Sim, isso mesmo! Grelhar o burro, aquele animal que tem orelhas grandes, 4 pés e serve para o transporte de cargas e pessoas pelo menos na ilha das dunas. Mas vamos ao que interessa!Lembro-me que era por volta das 9 horas da manhã, eu estava deitada na minha cama cansada depois de ter passado uma noite maravilhosa! Aliás era noite do fim de ano. Um grupo de rapazes entraram na nossa casa com uma barulheira que acabou por acordar todo o mundo – alias todo o mundo nada eu e a minha irmã Isa. Levantei-me meio “stramontod” e perguntei a minha irmã o que se passava. Ela com um ar meio surpreso e parecendo não acreditar respondeu-me: “arr ta bá mata burr pa cmê”. Eu surpresa e ao mesmo tempo contente porque afinal ia realizar o meu desejo. Isto porque todas as pessoas que comeram carne de burro disseram-me que esta era maravilhosa, logo criou em mim o desejo de experimentar.

Corri para a casa de banho, lavei o rosto, passei uma mão no meu cabelo, apanhei a minha câmara fotográfica digital e fui atrás dos rapazes. Descemos uma ribeira, conhecida por “rbirinha”, percorremos mais uns metros e chegamos ao ponto do encontro. Ainda não acreditando, eu e a minha irmã, as únicas mulheres presentes no acto, ficamos ali a observar mas ela acabou por desistir devido ao facto de não aguentar mais ver aquela cena.


Era uma coisa estranha, apesar de semelhante ao que acontece com os outros animais que já estamos acostumados a lidar. Talvez pelo facto de ser um animal muito grande. O que é certo é que dava arrepio ao ver os rapazes a esfaquearem o coitado do burro e ver todo aquele mar de sangue espalhado no chão. O animal lutava com toda a sua força para ver se conseguia escapar mas todo o esforço foi em vão.


A minha irmã arrepiou ao ver aquela imensidade de sangue no chão, parecia que os cabelos dela iam fugir. Mesmo assim no meio daquela cena chocante os rapazes encontravam forças para brincarem uns com os outros chegando a dizer: "panha tchala (titapa na badiu) pa pta sangue pa fazé botchada". Desanimada com a situação a minha irmã deu as costas e abandonu o local.
Para ela seria natural se aquele animal que estava ali esticado no chão a sofrer fosse uma cabra, uma vaca ou até mesmo uma galinha mas não, era um burro, um animal que serve simplesmente para o transporte e não para meter na panela quanto mais comer.


Após ter morto o animal, tiraram-lhe a pele, a cabeça e de seguida abriram-lhe a barriga e fizeram-lhe uma limpeza por dentro e depois esquartejaram-no. De certo que todo o material que não iria ser utilizado foi jogado fora, inclusive os rins, os pulmões, o coração e toda a ossada – estes eram para os animais.


A parte mais engraçada foi a chegada do grupo na localidade de João Galego. Meu Deus! Imagina você a confusão entre os prós e contra do acto que tinha acabado de ocorrer. Não queres? Pois, não o faça porque não o vais conseguir. Uma turma de um lado com expressões faciais conotando nojo; os prós todos sorridentes porque afinal iriam ser os primeiros na zona Norte a comerem carne de burro. O mais interessante que a explicação utilizada para os prós era o seguinte: “sno ta cme galinha kta cme na káka, lixe; sno ta cme porc kta cmé um mont dmer…, porque ke nó ca ta cmé burr ke ta cmé só padja”. Por um lado eles estavam certos, nos comemos galinha e porco que são dois animais sujos, posso assim dizer, que comem de tudo o que lhes passam pela frente porque não comer o burro que só alimenta da sua palhinha que ele encontra no chão e que o seu dono lhe dá. Se as pessoas me disserem que não o comem porque este não se encontra no nosso cardápio! Aí sim eu respeito a decisão de cada um porque este é um aspecto curioso e interessante. Lembro-me que mesmo querendo comer aquilo havia uma série de barreiras que para ultrapassa-las foi preciso um esforço enorme.


HORA MAIS ESPERADA


Depois da discussão ter acabado, de ter cortado e temperado a carne, “no tchal ta tma temper”, isto por volta dos 12:30. Às 5 horas da tarde segue a ora mais aguardada do dia. Uns para saborearem o gosto da carne de burro, outros para verem se as pessoas realmente tinham a coragem de comer a referida carne.


“Até quenfim” Chegou a hora! Dá para imaginar a quantidade de pessoas presentes naquela rua? Se não estou em erro 70% da população de João Galego se encontrava ali à espera. “Grilhada a vontade”. A cara de uns assemelhava a cara de quem estava comendo um bom prato de lazanha ou então um bife de vaca bem passado na frigideira, uma cabritada, enfim comidas que dão agua na boca só de pesarem nelas. Outros nem dá para descrever a cara porque se assim o fizer você que esta lendo esta história de certeza que vai sair correndo para a casa de banho. Mas continuando. Lembro-me que alguém apareceu e disse: “buces ta na zoológico” e um dos degustadores da carne do burro respondeu – “ primer animal li presente i bu pai kta li ta cme burr moda um doit”. Na verdade o pai desta pessoa pensava que aquela grelhada foi feita pensando nele. É que esta pessoa comia aquela carne que … nem sei como descrever. Parecia que ele não havia tomado café, tão pouco almoçado só para se preparar para o acto.


Os grelhadores – Arieta, Banet, Culit, Plera – estavam ali prontos para servirem os “clientes”. De certo que eu e a Banet a coragem nos faltou. Demoramos um tempo para saborear aquilo. Todo o mundo perguntava “Arieta dja bu cmê?” E eu respondia “sim”. “Anton manera qta” – “uma delícia” – respondia eu. O que é certo é que naquele momento eu ainda não tinha provado nada. É que de repente deu-me um nó na garganta que nem eu sabia explicar o que era.


Enquanto eu e os meus colegas estávamos ali no batente a grelhar, um bando de pessoas sorridentes e com “bocas bem ferozes” saboreavam a carne de burro. Parecia que estávamos num cinema: no palco os degustadores e os grelhadores de burro e ao redor o publico. Mas o triste da história é que a nossa peça não foi aprovada pelo público, infelizmente este não gostou da cena retratada no “filme”.


Quanto a mim, confesso que comi a carne mas o mais importante eu não soube fazer – não consegui degustar a carne. Talvez o receio por estar a comer uma coisa que não faz parte do meu dia a dia; comer um animal que eu utilizo só para montar e seguir rumo a “cabeça de curral doce” ajudar o meu pai e os meus irmãos na agricultura; ou então porque vivi toda aquela cena chocante do esfaqueamento do animal. Uma experiência nova que ficará marcada na minha memoria e na memoria da população de João Galego - 1 de Janeiro de 2007 data inesquecível.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Relembrando 1 de Janeiro de 2007

Finais do mês de Dezembro. Tempo de ferias. De tão empolgadas em passar os 15 dias junto dos familiares e amigos, nem deixamos a semana de aula terminar. Eu e a minha irmã Isa logo procuramos uma embarcação rumo a nossa ilha natal. Lembro-me que era uma quinta-feira. O dia não me-lembro, tão pouco a hora. Naquele preciso momento o que vinha a nossa mente era a chegada na ilha da Boa Vista. Uma chegada que não queria chegar. Sabes daqueles momentos quando estamos a espera de algo, e o tempo parece que não anda, pois é, era assim. Dormíamos, acordávamos e nada. O relógio nem sequer andava.

De repente alguém gritou: alá bubista la! Odja rotcha dstanja.
A multidão preocupou. Todo o mundo levantou com aqueles olhares, uns que dáva até arrepio, parece que a cara precisava passar por uma máquina de engomar para poder esticar a pele.


Enfim depois de um algum tempo o Barco apoiou-se no cais da ilha. Um bando de pessoas à espera. Não sei se iam procurar as suas cargas, familiares, amigos ou ate mesmo “fofocar”. O que é certo é que estas pessoas estavam todas de caras levantadas em direcção ao barco, como os burros nos dias de chuva – mas nesse caso não serve porque os burros nos dias de chuva ficam de rabo voltado para a direcção da chuva.


Descemos do Barco, cumprimentamos alguns amigos e conhecidos e de seguida entramos num carro e seguimos em direcção ao Norte, particularmente João Galego. Os 30 Km que separa esta localidade da Vila aproveitamos para refrescar a memória. As paisagens áridas do caminho Vila/Norte, as montanhas de “Pass Cont”, as ribeiras de “scriber” repletos de tamareiras e coqueiros, e aproveitamos também para avistar a Fátima logo à entrada de um novo caminho que leva-nos á localidade de Bofareira. Percorrendo mais uns Km. Chegando ao “cruz pret” aí se pode avistar as três localidades do Norte – João Galego, Fundo das Figueiras e Cabeça dos Tarafes.


A ansiedade era tanto que parecia que o carro não andava, que o caminho cada vez parecia mais longo. Fechamos os olhos e ao abrir deparamos com a entrada da nossa localidade querida - João Galego. Daí podes avistar o centro de juventude, a escola primária, a igreja, USB, tudo numa única rua recta – a tal famosa Rua Dreita de Tio Lino.


Numa localidade onde todo o mundo conhece todo o mundo, dá para imaginar a alegria dos amigos, dos familiares, dos conhecidos com a chegada das duas irmãs.
A partir desta data foi somente festas, paródias, convívios etc. mas há que realçar que a mais marcante foi a do dia 1 de Janeiro de 2007 – dia em que alguns rapazes de João Galego decidiram comer carne de burro. (bu cre sabé xtoria de cmida dburr? Fca sintonizod)

terça-feira, 1 de julho de 2008

Santa Isabel na Ilha das Dunas

Fim-de-semana promete muita festa para a ilha das dunas. Sexta-feira, 4, é o dia do Município da respectiva ilha. As comemorações a este dia começaram desde a semana passada com alguns jogos de uril, basquetebol, bisca, andebol e futsal.

Algumas actividades já foram realizadas tais como o lançamento do livro de Geraldo Almeida que abarca o tema de Estudos sobre o Direito Cabo-verdiano e outros estudos jurídicos. Ainda nesta onda de festejos, Kim Alves, Magala, Neneu e Tuia proporcionaram aos Boavistenses uma noite de guitarra no final de semana.

De certo que muitas actividades estão por vir tais como exposições de pintura, artesanato, gala de vozes, assinatura de alguns protocolos por parte da Câmara e o tão aguardado concurso de beleza das formosuras da ilha (Miss Bubista).

No dia 4 em homenagem à Padroeira Santa Isabel será realizada uma procissão seguida de uma missa na Igreja da Vila de Sal Rei. Mas o ponto alto da festa do Município da ilha da Boa Vista é com a actuação dos Livity. Este grupo que marcou a época, vai levar ao povo Boavistense as musicas que determinaram o sucesso da banda prometendo assim sacudir o publico que vai estar presente.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

IMIGRANTES ILEGAIS NÀ COSTA DA BOA VISTA

Uma embarcação com cerca de 128 clandestinos foi encontrada, sábado, 28, na costa da ilha da Boa Vista. De entre os emigrantes na piroga 10 eram mulheres e havia entre eles 2 crianças.

Tudo indica que os emigrantes partiram da Guiné-Bissau e de vários outros Países da Costa Ocidental Africana. Um grupo de pescadores da referida ilha detectaram a embarcação e de imediato entraram em contacto com a guarda costeira.

Estes emigrantes fora transportado para a Cidade da Praia no Domingo, 29 de Junho, e encontram-se acolhidos na esquadra de Eugénio Lima e na de Achada Stº António.
Neste momento procuram-se identificar os clandestinos para depois reencaminhar estes aos seus referidos Países de origem.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Pegadinha do burro!

Ah nhas gent bur ta grita med dmucinhe, mucinhe ta grita med dburr. sima Bava ta fla "ok vergonha".
Mas spera! O quê que kel burr faze ta mete cabeça dente dkel corr? Será pegadinha dvera. Bom pegadinha ou não kel rapaz deve ser ta quas ta chichi na cueca, ou se djal ca fazé M...


segunda-feira, 23 de junho de 2008

Políticos e Media perdem credibilidade, diz Medina

Uma pesquisa não se constrói de uma ora para outra mas sim um resultado de um longo caminho e muitas contribuições. Ela alimenta-se de experiências que acontecem num determinado espaço de tempo e também se alimenta da época e do contexto histórico em que ele está inserido.
É com base nas experiências e vivências em Portugal que Daniel Medina, actualmente Professor da Universidade Jean Piaget de Cabo Verde e do ISE, desenvolveu a sua tese de doutoramento em Ciências Politicas.

A Mediatização da Comunicação Politica defendida no dia 10 de Abril do corrente ano na Faculdade de Sociologia, Ciências Politicas e Administração da Universidade de Santiago de Compostela, Galiza foi apresentado ao público estudantil da Universidade jean Piaget de Cabo Verde na tarde de 19 de Junho.

O auditório da unipiaget encontrava-se repleto de alunos de Ciências de Comunicação e não só, para assistirem o Docente na apresentação de um tema, considerado por muitos, como sendo algo de grande interesse para a área tendo em conta que a maioria dos presentes serão futuros profissionais de comunicação social.

O ex-Director da Televisão de Cabo Verde, actual Director do Jornal de Cabo Verde na apresentação fez-se acompanhar do Presidente do Concelho Cientifico da Universidade - doutor Wlodziemierz Jozef Szymaniak .

De uma forma resumida a tese abarca o papel que as mediações sociais, discursivas, retóricas e argumentativas desempenham na acção comunicativa. Esta foi dividida em 8 partes onde destacar a relação entre os media politica e comunicação; a comunicação politica em diversos vertentes; comunicação politica, arte e influência; relação entre o espaço politico e opinião publica; marketing e comunicação política; a comunicação eleitoral numa campanha; televisão, poder e jornalistas; e por fim os contributos da sociologia para o estudo da comunicação política. Vale salientar que no decorrer dos capítulos procurou-se estudar o fenómeno da mediatização da política em Portugal e na Europa.Neste estudo há uma grande preocupação em saber quem influencia quem, os políticos face ao media ou vice-versa. O que é certo e que, segundo Daniel Medina, tanto os políticos como os meios de comunicação social estão a perder a credibilidade pois os políticos estão cada vez mais prudente e menos mediáticos.

Apesar do estudo ter sido desenvolvido na Europa este não impediu que no debate fosse abordo a realidade Cabo-Verdiana. No olhar de Medina os jornalistas Cabo-Verdianos deviam ser mais atentos e perceber mais as questões sociais pois em Cabo Verde os Jornalistas deixam muito a desejar, não atribuindo o espaço necessário aos políticos para este veicular as suas mensagens. Os jornalistas necessitam ser mais mediáticos exercendo assim a sua função de intermediário.

Os universitários mostraram alguma preocupação face ao assunto no que diz respeito á realidade Cabo-Verdiana. Durante a secção de perguntas e respostas estes apresentaram inquietações, duvidas e perguntas sobre a relação dos políticos e dos jornalistas em Cabo Verde. Mas como não se pode agradar a todos, há aqueles que mostraram um certo desagrado, isto devido ao facto do estudo “não ser adequado a nossa realidade pois seria muito mais interessante se esse abordasse a nossa politica, os nossos comunicólogos”.

No final Daniel Medina deixa uma sugestão: deixar os jornalistas exercerem a sua liberdade de expressão mesmo que cometem erros.

Em busca de soluções para a falta de chuva

Poucas coisas são consideradas para sempre. Amor de Mãe, carinhos e a amizade verdadeira dos amigos talvez não acabem. Mas a água, esse um dia trará graves problemas para a sociedade. Sendo por isso é urgente começar a repensar nesse liquido tão precioso.

Meditando neste aspecto no dia 17 de Junho - Dia Mundial de Luta Contra Desertificação - muitas actividades foram desenvolvidas, um pouco por todo o País, para comemorar este dia.
No 14º aniversário da convenção da luta contra a desertificação e a seca a Associação para a Defesa do Ambiente e Desenvolvimento (ADAD) entregou alguns materiais da rega gota-a-gota destinados a uma horta escolar que será instalada em João Varela. Também fez parte deste programa o lançamento da primeira pedra do Projecto “Desenvolvimento sustentável do Concelho de Ribeira Grande de Santiago” bem como a apresentação pública do projecto no Convento de São Francisco (Cidade Velha) e plantações de árvores.

Como é do conhecimento de muitos, Cabo Verde tem poucos recursos. As mais relevantes são a agricultura e a riqueza marinha que o arquipélago possui. Mas há que realçar que o primeiro é muito afectado pela seca. A agricultura é muito prejudicada pela falta de chuva.

Caso da Boa Vista

A Ilha das dunas apesar de ser uma Ilha direccionada para o turismo, ela é também uma das ilhas do arquipélago onde a agricultura, a criação de gado e a pesca ocupam um lugar muito importante no seio das populações. Mas nem tudo o que parece é. Boa Vista depende do turismo mas grande parte da população para poder sobreviver depende muito da agricultura, criação de gado e a pesca.

Actualmente a ilha das dunas passa por momentos considerados difíceis no que se refere a agricultura. A causa disto tudo é devido ao mau ano agrícola que se encontra na ilha, devido a fraca precipitação que se registou ao longo dos últimos anos. Sendo por isso a Boa Vista enfrenta alguns problemas em termos de produtos hortícolas frescos. A grande maioria dos produtos vendidos na ilha é proveniente das outras ilhas do arquipélago muitas vezes levadas pelos pequenos comerciantes que radicam na ilha a procura de melhores condições de vida.

Contudo, como forma de solucionar todos esses problemas apostar na agricultura através da rega gota-gota agora é o sistema dominado na ilha. Isto porque o sistema de alagamento já não é possível devido a pouca água existente nos poços. A rega gota-a-gota consiste no fornecimento de água em pontos específicos do terreno onde alcançará uma certa profundidade. Todavia vale salientar que as vantagens da utilização desse sistema são inúmeras. Entre elas podemos destacar a economia da água, a possibilidade de ser emprego em qualquer tipo de terreno, economia da mão de obra, a possibilidade de ter menos gastos nos fertilizantes, melhorias qualitativas e quantitativas das produções e maior facilidade na realização de operações no terreno das culturas.

Na realidade, na ilha da Boa Vista as propriedades agrícolas estão situadas quase todas junto das ribeiras, tendo em conta a qualidade de terreno. Mas este, segundo João Silva - Presidente da Associação dos Agricultores, tem o seu preço, “quando a chuva resolve beneficiar a terra, metade do trabalho é devastado pelas ribeiras”. É que tendo em conta que a estação chuvosa de Agosto a Outubro é muito irregular e com fraca precipitação, os agricultores preferem desenvolver as suas actividades perto das ribeiras por se encontrarem mais perto das nascentes.

João Silva salienta que como forma de minimizar estes problemas devido a falta de chuva, a Delegação do Ministério da Agricultura e Ambiente tem ajudado a população no que se refere a escavação de poços e “tanques” para a reserva de água. Mas por outro lado a Câmara Municipal da Boa Vista vem ajudando a população agrícola. Ainda este ano no mês de Março, o edil, José Pinto Almeida, beneficiou os agricultores da ilha, particularmente João Galego, Fundo das Figueiras, Cabeça dos Tarrafes, Rabil, Vila da Sal Rei e Estancia de Baixo com cerca de 35 motobombas para fazerem a extracção de agua destinada a rega e também com alguns materiais que permitam reforçar o alargamento do sistema de gota-a-gota. É de realçar que José Pinto Almeida já tinha doado anteriormente 30 motobombas.
Há que salientar que para alem da falta de chuva o aumento da temperatura está a afectar e muito as espécies de plantas que são cultivadas na ilha. Sendo por isso é necessário tomar medidas drásticas visto que “o pão-nosso de cada dia está com deficiências, e se tudo continuar assim o que será das nossas vidas e da educação dos nossos filhos”.